A série de reportagens “Nossos heróis” vai contar a história da Dona Genora do Nascimento Santiago. “Patrimônio” do transporte público, Dona G, como é carinhosamente conhecida, ficou viúva cedo, criou os três filhos com muita luta e hoje esbanja bom humor e simpatia.

Natural da cidade de Sousa-PB, Dona Gê veio para São Paulo aos sete meses de idade. Seus pais e tios buscavam uma vida melhor para a família. “Viemos num pau de arara, eu, meu pai, minha mãe, meus avós e os 18 filhos. Foram 19 dias de viagem”, conta.

A primeira parada foi em Araçatuba-SP, mas a família terminou se mudando e firmando residência no estado de Mato Grosso. Durante 14 anos morou em Jateí -MT, seus pais ainda tiveram mais seis filhos e Genora ajudava no sustento da família trabalhando no campo junto com seu pai João.

WhatsApp Image 2018-08-24 at 13.34.42 (7)O retorno à Paraíba aconteceu ainda criança, quando aos 14 anos seu pai resolveu retornar à cidade natal. Foram dois anos morando em Sousa-PB e lá ela conheceu o seu marido José. Quando seu pai João resolveu novamente sair da Paraíba, ela casou e ficou por lá por mais três anos.

Piracicaba entra nessa história em 1976. Seu pai, já estabelecido na cidade, trouxe Dona Gê, seu marido e sua filha Joelma de um ano na época. “Chegamos aqui e morei em uma casa bem simples, próximo da casa do meu pai. Ali criei meus três filhos e vivi com meu marido por 14 anos”, lembra.

É ai que as coisas começam a mudar na vida de Dona Gê. Até então, ela apenas cuidava dos filhos, o sustento da casa era feito pelo seu marido. Nos Dias dos Pais de 1988, uma bala perdida mudaria a trajetória de sua família. “É uma parte da vida muito triste, pois perdi o meu companheiro, pai dos meus filhos”, lamenta.

José foi atingido enquanto estava no ponto de ônibus da antiga fábrica da Santin. Um tiro certeiro que levou sua vida de forma instantânea. Com três filho para criar, Dona Gê contou com a ajuda de seu pai, de sua filha mais velha e das irmãs da igreja.

Após a tragédia, a vida tinha que continuar. Ela criou forças e começou a comandar um pequeno bar ao lado de sua casa montado pelo seu pai. Ali ela cuidava de seus filhos e trabalhava ao mesmo tempo. “Fui preparando a Joelma WhatsApp Image 2018-08-24 at 13.34.42 (10)(filha) para criar seus irmãos, pois queria muito trabalhar em alguma empresa”.

Após dois anos trabalhando no bar, resolveu buscar um emprego registrado. Conseguiu um rápido trabalho em uma empresa de limpeza e logo depois iniciou no transporte público. Seu primeiro registro é na empresa Paulicéia, em 1991. “De lá para cá passei em várias empresas de transporte de Piracicaba”, lembra.

Lá se vão 27 anos a serviço do transporte. Dona Gê se orgulha do serviço e de sua vida. “Sempre temos que batalhar. Minha vida se resumiu a trabalhar e cuidar dos meus filhos e sou feliz assim”.

Genora, que já é bisavó, conta que tem três objetivos na vida, sendo que dois ela já conquistou. “O primeiro era criar meus filhos e graças a Deus estão todos muito bem-criados com direito a netos e bisnetos. O segundo, me aposentar o que também já consegui, agora resta terminar minha casinha e já estou empenhada nisso”, comemora.

foto dona Gê

Cinco gerações da família de Dona G.

Dona Gê afirma estar muito feliz na Via Ágil. Segundo ela, a empresa valoriza os funcionários e todos são muito educados. “Adoro servir os funcionários da Via Ágil e fico mais feliz ainda quando elogiam meu cafezinho”, se diverte.

Ela finaliza dizendo se sentir uma vitoriosa na vida. “Sempre batalhei muito e nunca fugi de trabalho. Comigo não tem tempo ruim, se precisar de mim estou à disposição sábado, domingo e feriado. Essa é a lição que passo pros meus filhos, netos e bisnetos. Honestidade e muito trabalho, pois nada cai do céu”, finaliza.