Dando sequência a série de reportagem “Nossos Heróis”, vamos contar a história de vida da motorista Cristina Aparecida Gomes de Mello. E que história! Aos 44 anos, Cristina tem um longo currículo de batalhas pessoais e profissionais com vitórias e derrotas que a deixaram mais madura e pronta para criar e ensinar suas duas filhas e netos. “Não é fácil, a vida nos ensina, nos dá experiência. Temos que aprender com ela para nos tornar uma pessoa melhor”, afirma.

A boa infância ao lado dos pais de criação na cidade de São Roque não durou muito. Sua mãe (Eni) sofreu um derrame e seu Pai (Vicente) gastou quase tudo que tinha para aliviar a dor da esposa. Aposentado, resolveu se mudar para Piracicaba e pouco tempo depois veio a falecer em decorrência de um problema de fígado.

Cristina, ainda criança, e sua mãe foram morar com uma tia. Foram tempos difíceis. Quando a mãe faleceu, sua prioridade era seguir sua vida, ter sua própria casa e sua família.3

Casou aos 17 anos, saiu da casa da tia, mas separou um ano depois. Decidida, resolveu ser mãe solteira e foi! Tentou a vida em várias outras cidades; Porto Ferreira, Hortolândia, Pirassununga e por fim retornou a Piracicaba em 2011.

Em dado momento, analisou sua vida, reviu as suas escolhas e sentiu que algo estava errado. “Ficava pulando de galho em galho. Não tinha um lar para meus filhos. Precisava de atitude e foco. Precisava colocar minha vida e de minhas filhas em ordem”, relembra.

Cristina sempre olhava os ônibus da cidade e via mulheres dirigindo. Tudo começou a mudar. “Comecei a fazer amizade com os motoristas e decidi que iria trabalhar como eles, transportando os piracicabanos”, conta.

Na época, ainda não existia a Via Ágil e Cristina foi bater na porta da Milenium. “Fui atendida pelo Jeovâ e ele me disse que o responsável pela contratação era o Meneses, mas ele havia saído para uma reunião. Fiquei ali esperando a tarde inteira até ele voltar. Quando voltou, ele me atendeu, eu pedi o emprego e ele me explicou que eu precisava ter um curso especial e mudar a letra da minha carta de motorista”.

Sem dinheiro e sem emprego tinha que arrumar uma maneira de fazer o tal curso. Foi aí que ela resolveu vender caneta Bic. “Precisa levantar R$ 1.300 para tirar minha carta e nada iria me impedir. Comprava caneta a R$ 0,50 e vendia a R$ 1,00. Foi assim, aos poucos, que consegui vencer essa primeira etapa”, conta.

Carta na mão era hora de batalhar pela segunda etapa, o emprego. Ela voltou na Milenium e deixou um currículo. Logo foi chamada para entrevista. “Nem acreditava, fiquei muito emocionada pela oportunidade, mas eles escolheram outra pessoa, mesmo assim me deixaram fazer o teste prático”.

No teste, que foi avaliado pelo Chitão, ela foi muito bem, passou a semana na integração da empresa e conseguiu o que queria. “Motorista, nem acreditava. Estava muito feliz, muito emocionada. Uma grande vitória”.

Milenium, Piracema e por fim Via Ágil. Lá se vão seis anos de muito trabalho. “Hoje moro com minha duas filhas e dois netos, apesar de ter a filha caçula com problemas, somos muito abençoados e fortes para enfrentar qualquer barreira que ainda possa aparecer.”.

Cristina elogia a Via Ágil. “Uma excelente empresa para trabalhar, valoriza o funcionário, está sempre oferecendo cursos e atualizações. Sou muito grata”, finaliza.